Aguarde

Estamos organizando o nosso material. Já voltamos  com mais novidades.

 

O endereço http://fisio-ortopedia.blogspot.com não será mais usado.

Anúncios

Complexo Tornozelo/Pé

imageO complexo tornozelo/pé é composto por diversos ossos, articulações, ligamentos e músculos que harmonizam as suas estruturas de forma a permitir os movimentos de andar, correr e saltar que parecem simples aos olhos mais desatentos.

Esse tema será dividido em partes que se somarão, transformando-se numa série de artigos mais completos, de forma a não excluir nenhum ponto.

 

Síndrome Compartimental

 O corpo humano é dividido em compartimentos que abrigam nossos órgãos e separam os nossos músculos. A síndrome compartimental é definida pelo aumento da pressão de um compartimento osseofascial que pode ocorrer nos MMII ou MMSS. Ela pode ser dividida em síndrome compartimental aguda (SCA), por esforço agudo (SCEA) e crônica (SCC). A SCA acontece geralmente devido a trauma direto na região, causando dor, edema e de acordo com o estágio, o paciente já apresenta déficits sensoriais nas extremidades devido ao aumento da pressão, podendo já estar associado ao sofrimento tecidual e redução do fluxo sangüíneo, em alguns casos ocorre a interrupção desse fluxo. Por todas essas características, torna-se uma emergência médica e o tratamento é cirúrgico através do procedimento chamado fasciotomia. Na situação de SCEA não há trauma e sim esforços intensos, excesso de atividade física ou alteração na biomecânica do corpo favorecendo o aumento do esforço. O tratamento é, assim como na SCA, a fasciotomia. Continue lendo

Síndrome Fêmoro-Patelar (SFP)

image A dor na região anterior do joelho, incômodos ao se agachar ou subir escadas e a extenuante tarefa de, às vezes, ter de administrar o quadro álgico para os entusiastas da vida esportiva, são comuns aos pacientes que possuem a Síndrome Fêmoro-patelar (SFP). Talvez a grande dificuldade dos profissionais de saúde seja o diagnóstico preciso, a grande parte deles se resume ao enfraquecimento da musculatura extensora do joelho, o desequilíbrio muscular.

A patela é um osso sesamóide que sofre a ação de diversas forças em vários sentidos e a desorganização dessas forças é uma das causas da SFP. Mas simplificar o diagnóstico é negligenciar o problema. A visão global é o ponto de partida, visualizar a possibilidade de influências ascendentes e descendentes na organização postural é meio caminho andado para o sucesso no tratamento. Aumento no ângulo Q, rotação da tíbia, encurtamento do retináculo lateral, dos ísquiotibiais e do trato iliotibial, são fatores que podem levar à síndrome. Mas é importante lembrar que algumas alterações anatômicas podem estar presentes como a significante redução anterior do côndilo lateral do joelho, que ajuda a manter a patela centralizada e a diminuição do sustentáculo do Tálus. Tais alterações anatômicas reduzem a eficiência, mas não a importância do tratamento fisioterapêutico. Alterações no grau de anteversão femoral e no ângulo da diáfise colo-femoral, por exemplo, indicam um tratamento associado a uma manutenção por muitos anos e comprometimento do paciente com a sua situação. O encaminhamento entre profissionais médicos, fisioterapeutas e educadores físicos é fator determinante para um bom desfecho.

Tróclea rasa

Na última década muitos estudos sobre as causas da SFP apresentaram outras possibilidades. Diminuíram a importância da hipertrofia a qualquer custo do vasto-medial e apresentaram as influências da musculatura do MMII como um todo. O valgo dinâmico do joelho ocasionado pela fraqueza dos rotadores externos do quadril ganhou a atenção dos pesquisadores pelo fato aumentar a medialização do joelho, indo a favor da tendência de lateralização patelar. Outro ponto importante é a pronação excessiva do pé (pé plano) que gera rotação interna da tíbia e potencializa a lateralização patelar. Um fator importante pode ser a insuficiência do músculo tibial posterior e a redução de tamanho do sustentáculo do tálus favorecendo esse quadro.

O conhecimento de todas essas possibilidades e fatores desencadeantes é a chave para o sucesso no tratamento. Trabalhar isoladamente a musculatura do joelho deve cair em desuso, visto a grande necessidade de atenção aos grupos musculares do quadril, da perna e tornozelo/pé. A visão global do corpo e, nesse caso, do membro inferior juntamente com a multidisciplinaridade que deve envolver o tratamento levarão ao melhor resultado.

Lombalgia

FotoliaComp_3721849_hViQ2zuitYGYINri8hwvkIjz0fior5ROA Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que a dor nas costas é a segunda maior causa de dor no mundo, perdendo apenas para a dor de cabeça. Dados tão alarmantes chamam a atenção de todos, das pessoas que são acometidas por esse mal, dos empresários com suas perdas financeiras e dos profissionais de saúde.


As causas são várias, por isso, o diagnóstico e tratamento também o são. Existem diversos fatores de risco, entre eles está a obesidade, fator que leva à sobrecarga dos discos inter-vertebrais, podendo levar a um aumento de volume da região abdominal favorecendo uma curvatura mais acentuada da região lombar. O sedentarismo é um outro fator de risco, apesar de aparecer muitas vezes lado a lado com a obesidade, eles caminham separados. O indivíduo não praticante de atividades físicas possui uma mecânica corporal mais limitada, pois a musculatura responsável pelos movimentos e pelo sustento do nosso corpo está fragilizada, não encontra-se alongada e está mais suscetível a lesões. As causas das dores nas costas podem ser decorrentes de lesões ósseas também. A fraqueza dos óssos, conhecido como osteoporose  causa dor quando as vértebras começam a ficar achatadas. A artrose que é a degeneração articular, especificamente das cartilagens articulares leva à dor quando há o movimento. A gravidez se torna um fator de risco quando a curvatura da coluna na região lombar fica acentuada, assim como na obesidade. Talvez um dos fatores de risco mais comums, principalmente entre pessoas mais velhas, seja a lombalgia mecânica. Ela aparece quando, durante o trabalho ou alguma atividade de vida diária, a pessoa realiza um movimento de maneira errada. Dores ocasionais podem se tornar um pesadelo quando elas tornam-se diárias atrapalhando o cotidiano.
337563_weight_scaleA população brasileira está ficando mais velha e nós não estamos acomodando de maneira correta os nossos idosos. A sua independência é primordial para um envelhecer sadio. Um conceito sempre ignorado é a acessibilidade, que nada mais é do que o acesso para todos, resumindo. Todo equipamento, banco de praça, calçada, tudo deve ser de fácil manuseio para todos, independente da sua condição. Esse ponto torna-se importante quando temos um número altíssimo de quedas em idosos e até em pessoas mais novas. Esses incidentes ocorrem regularmente e podem afetar o organismo como um todo, causando inclusive dor nas costas, nos mais velhos pode levar até ao óbito.
Tratamento
  1239807_legs_of_a_young_man_runningA multidisciplinaridade é muito importante no tratamento da lombalgia e os diveros profissionais na área de saúde trabalham com um grande arsenal de possibilidades para o tratamento desse mal. O tratamento vai depender da causa, pois a lombalgia (algia=dor) é o sintoma e esse quadro não deve ser tratado assim, pois quando apenas a sintomatologia é tratada, após alguns dias ou semanas as crises de dor reaparecem.
Um bom diagnóstico deve ser feito dentro do consultório do fisioterapeuta e/ou médico para que se chegue a uma conclusão sobre a causa. Os tratamentos medicamentosos são prescritos apenas pelo médico e nem sempre resolvem o problema. Há um alívio enquanto ele é administrado, mas a ação é no sintoma e não na sua causa. O grande problema é o fato das dores sumirem no máximo em 3 meses, o que dificulta o seu acompanhamento, devido o abandono por grande parte dos pacientes.
O melhor tratamento, segundo os especialistas, é o exercício físico quando indicado, que deve ser praticado com supervisão de profissionais. Lembre-se que o seu quadro de dor deve ser levado a sério pelo seu médico, fisioterapeuta e principalmente por você. Procure bons profissionais que lhe auxiliem e também lhe informem sobre o seu quadro.

Síndrome ou Nódulo de Ciclope

image As lesões ligamentares do joelho são bastante comuns nas clínicas de fisioterapia, onde as lesões específicas dos ligamentos cruzados se destacam. A Síndrome de Ciclope (SC) é uma das complicações que ocorrem após a lesão do ligamento cruzado anterior (LCA), com ou sem reconstrução. Possui uma incidência variando de 3 a 24% e ocorre devido uma resposta fibroblástica anormal, que gera o nódulo de ciclope (NC) predominantemente na inserção tibial. Ela é caracterizada por restrição da extensão de joelho, estalído audível e dor ao movimento.




O nome Síndrome de Ciclope foi dado pela sua forma arredondada que lembra o olho de um ciclope ( personagem da mitologia grega ).
A etiologia da doença é muito discutida na literatura, mas sabe-se, devido a relatos de casos, que o NC ocorre devido ao mau posicionamento do enxerto, a má execução do desbridamento, mas também foram relatados casos onde houve trauma sem ruptura tecidual (apenas lassidão)  ou com ruptura parcial que desenvolveram o NC. Sabe-se que pode ser o resultado de microtraumas nas fibras, que leva a formação de tecido cicatricial. O interessante é que nem todos os pacientes que apresentam o nódulo de ciclópe desenvolvem a síndrome. A diferenciação em cicatriz ciclopóide e NC verdadeiro explica esse fato, pois a cicatriz ciclopóide é apenas tecido cicatricial sem tecidos vestigiais do desbridamento mal executado e o NC verdadeiro apresenta no seu núcleo restos de cartilagem, ossos entre outros.
imageA SC ocorre entre o segundo e o terceiro mês de pós-operatorio, quando o processo de reabilitação está sendo realizado. O paciente começa a perder o movimento de extensão e não evolui mais no ganho, pode aparecer já associado à dor e ao estalido audível. É importante o  conhecimento e entendimento desse quadro, pois o desenvolvimento ocorre independentemente do processo de reabilitação. Instalado o quadro, o paciente deve ser reencaminhado ao médico para realizar exames complementares, sendo o mais indicado a ressonância nuclear magnética. O único tratamento é cirúrgico.

Artigo Original

Lesão do Canto Póstero-lateral

posterolat-corner02_thumb[7]
O estudo do joelho em fisioterapia é, por muitas vezes, simplificado e fica restrito em doenças degenerativas, lesões nos ligamentos cruzados e colaterais, instabilidades ligamentares em geral e lesões musculares locais. A complexidade desta articulação necessita de um estudo aprofundado para um tratamento adequado.

A lesão do canto póstero-lateral (CPL) é um acometimento incomum e geralmente é resultado de lesões esportivas, acidentes automobilísticos entre outros traumas diretos na articulação. Há uma estimativa de que a grande maioria das lesões sejam de origem esportiva e que ela isolada, é muito rara compreendendo apenas 1,6% do total de lesões no joelho. O acometimento de outros ligamentos e estruturas em conjunto é mais comum devido, também, ao mecanismo de trauma que compreende uma força na região anterior e lateral, o que gera um estresse em varo juntamente com uma rotação externa e hiperextensão.
As possíveis lesões de tecidos moles dependem do grau de acometimento. São três camadas nessa região, onde a primeira corresponde à fascia lateral, trato iliotibial, tendão do bíceps femoral e abaixo deste o nervo fibular. A segunda camada compreende o retináculo patelar e o ligamento patelo-femoral. A terceira e mais profunda é constituída pela cápsula articular, ligamento colateral lateral, ligamento poplíteo-fibular, tendão do músculo poplíteo e ligamento arqueado. A classificação usada é a de Fanelli que é dividida em 3 tipos:
Tipo A: Lesão do ligamento poplíteofibular e do tendão do músculo poplíteo o que gera uma rotação externa excessiva.
TipoB: Lesões do tipo A mais a do ligamento colateral lateral que gera a rotação externa excessiva juntamente com uma abertura em varo de 5 a 10mm a 30graus de flexão.
TipoC: Há a associação de avulsão capular lateral e rompimento de ligamento cruzado.
A reconstrução do CPL deve ser realizada de forma prioritária, antes mesmo da reconstrução dos cruzados, mas abordagens mais recentes de reconstrução conjunta apresentam melhores resultados.
LARSEN
Reabilitação
A reabilitação pós-operatória é chave para o sucesso e o protocolo vai variar de acordo com as estruturas lesadas e a qualidade dos tecidos. O tratamento começa sem descarga de peso e com tala imobilizando o membro afetado em extensão 0. O tratamento segue as mesmas linhas do tratamento de reconstrução do cruzado posterior, sempre respeitando as individualidades de cada lesão.
Esse texto é uma síntese de artigos científicos e dos sites abaixo.